Destaques do Artigo:
🏴 João Knox e a revolução presbiteriana na Escócia contra a coroa.
📖 Catecismo de Heidelberg: base teológica da Reforma alemã no Palatinado.
✝️ Hungria: resistência calvinista em meio a turbulências políticas.
🏴 João Knox e a revolução presbiteriana na Escócia contra a coroa.
📖 Catecismo de Heidelberg: base teológica da Reforma alemã no Palatinado.
✝️ Hungria: resistência calvinista em meio a turbulências políticas.
A Escócia no século XVI era um reino independente, muito mais amigo da França do que da Inglaterra.
Seu clero católico tinha sido peculiarmente indigno e incompetente. Por isto não surpreende que os ensinos da Reforma fossem ali avidamente aceitos a despeito da oposição da Igreja Romana e do governo e apesar, ainda, de serem queimados alguns dos pregadores protestantes.
O grande reformador da Escócia, João Knox, apareceu em cena em 1546. Da sua vida passada apenas sabemos que nasceu em 1515.
Tornou-se sacerdote, foi tutor dos filhos de algumas famílias nobres e, depois, companheiro de George Wishart, um dos mártires protestantes.
De sua ousadia em pregar o Cristianismo reformado resultou, em 1546, ser preso por uma força francesa que fora enviada para auxiliar o governo escocês.
Por dezenove meses suportou a "vida de morte" numa das galés de escravos, na França. Passou depois vários anos na Inglaterra, enquanto a Reforma progredia sob o governo de Eduardo VI, e destacou-se como notável pregador.
Ao rebentar a perseguição no reinado da rainha Maria, fugiu para o continente. Passou algum tempo em Genebra onde se ligou intimamente a Calvino.
Viajando sempre, entrou em contato com muitos líderes protestantes do continente e seus respectivos campos de trabalho.
Knox volta à Inglaterra
Enquanto isso a Reforma prosseguia de algum modo na Escócia sob a liderança de certos nobres conhecidos como os "Lords da Congregação".
Quando Knox regressou em 1559 para assumir a direção do movimento, encontrou-os prontos a lutar pela liberdade da fé, contra a rainha regente.
Dispondo de tropas francesas para a luta, ela teria alcançado a vitória caso Knox não solicitasse o auxílio de Cecil, secretário do Estado da rainha Isabel que viu quanto era necessário ter uma Escócia protestante ao lado de uma Inglaterra protestante.
Em 1560 uma armada e um exército ingleses expulsaram os franceses em meio ao maior regozijo do povo escocês.
Vitória da Reforma Escocesa: Parlamento e Confissão de Fé
O campo estava livre para João Knox e seus companheiros de ideal. João Knox pregava constantemente com extraordinária eloquência, fortalecendo a causa reformada com seus argumentos poderosos.
Organizou-se então, com grande rapidez, uma Igreja Reformada Escocesa sob sua direção. Ele, auxiliado por outros ministros, escreveu a nobre "Confissão Escocesa".
O Parlamento adotou-a como o credo da Igreja nacional, rejeitando ao mesmo tempo a autoridade do papa e proibindo a missa.
Knox também foi o principal autor do "Livro de Disciplina", que traçava uma forma presbiteriana de governo para a Igreja, seguindo o mesmo plano da Igreja Protestante Francesa.
Em virtude dessas medidas reuniu-se neste mesmo ano, 1560 a primeira Assembléia Geral da Igreja da Escócia.
A nação, por todas as suas classes, deu as boas vindas à nova ordem e a Reforma foi concluída e solidificada, embora não ainda com plena legalidade.
Knox e a rainha Maria
Mas as conquistas alcançadas tinham de ser defendidas. Em 1561, Maria, rainha da Escócia, veio da França reinar na sua própria terra, decididamente resolvida a restabelecer o catolicismo romano. E quase alcançou o seu objetivo.
Fracassou devido, parcialmente, à sua própria perversidade e aos seus desatinos, o que despertou geral indignação contra ela, e por outra parte, por causa da atitude decidida de João Knox.
Contra a rainha e os nobres que com ela estavam, Knox sustentou a bandeira da causa protestante, com o auxílio sempre crescente da parte do povo. Em 1587, após a abdicação da rainha, a Reforma reconhecida e confirmada pelo rei.
Depois de alcançada a vitória do protestantismo, surgiu a luta pelo presbiterianismo. O filho da rainha Maria, Tiago VI, que veio a ser depois Tiago I da Inglaterra, tentou introduzir bispos na igreja escocesa.
Ele viu que um governo eclesiástico presbiteriano nutriria e desenvolveria o espírito de liberdade entre o povo.
Igualmente, alguns nobres que se aliaram ao rei, julgaram que a introdução de bispos na igreja lhes daria uma oportunidade de ficarem com as terras que tinham pertencido aos bispos medievais.
André Melville foi o ousado líder presbiteriano dos escoceses nessa luta contra o rei. Por causa dos seus esforços a Igreja Escocesa alcançou uma forma de governo presbiteriana completa e que ainda não tinha sido plenamente alcançada desde que surgira a Reforma.
Mas depois o rei foi vitorioso a Igreja da Escócia teve bispos, a partir de 1610, até os dias do Concerto (Convenant).
Alemanha: O Palatinado Calvinista e o Catecismo de Heidelberg
Já consideramos (em artigos anteriores) o grande número de protestantes zuinglianos na Alemanha, especialmente no sul, grupo este que iniciou a Igreja Reformada da Alemanha.
Quando a influência e as ideias de Calvino se irradiaram de Genebra, os luteranos, em algumas regiões, preferiram segui-las em vez de conservarem os pontos de vista de Lutero, e isto aconteceu principalmente no Palatinado (vale do Reno) cujo governador, o Eleitor Frederico III, era homem profundamente religioso e um forte calvinista.
Foi assim que o número de reformados na Alemanha cresceu extraordinariamente. O credo principal deles foi o famoso catecismo de Heidelberg, escrito por Zacarias Ursino e Gaspar Oliviano. Este catecismo foi publicado em 1563, pelo Eleitor, como o Credo do seu país.
Desta Igreja Reformada Alemã procedeu a Igreja Reformada dos Estados Unidos, às vezes conhecida como Igreja Reformada Alemã.
Calvinismo e Resistência em Meio às Turbulências Políticas
Os ensinos protestantes se espalharam largamente na Hungria durante o século XVI. Houve ali muitos luteranos e calvinistas, sendo que estes últimos eram mais numerosos. Apesar dos obstáculos resultantes das desordens políticas, desenvolveu-se ali uma forte Igreja Reformada.
Luteranismo vs. Calvinismo: Quietismo e Ativismo na Reforma Europeia
Além dos movimentos descritos neste capítulo, o Protestantismo Reformado inclui, numa grande extensão, a Reforma na Inglaterra onde as influências e as ideias da Reforma, vindas do continente, eram muito fortes. O puritanismo, em particular, pertence ao protestantismo reformado ou calvinista.
O protestantismo luterano e o reformado concordaram no princípio central da Reforma: Sacerdócio de todos os crentes, a possibilidade de o pecador dirigir-se ao seu Deus, pessoalmente, sem intermediários, exceto Jesus Cristo.
Mas havia diferenças.
O protestantismo reformado desenvolveu-se naquelas partes da Europa onde havia mais progresso intelectual resultante do desenvolvimento do humanismo e onde havia mais liberdade política. Daí ter sido ele tão eficiente e decidido na sua separação da igreja medieval, ou seja, da Igreja Romana.
A esta reforma mais radical deu-se o nome de Protestantismo Reformado. O princípio básico do protestantismo reformado era o de que a vontade de Deus, revelada na Bíblia, devia ser realizada.
O principal objetivo do cristão, ensinava-se, era alcançar o cumprimento do propósito de Deus na sua vida. Mas o luteranismo ensinava que o principal objetivo do cristão era manter sua fé, sua confiança em Deus.
Por esta razão a tendência do luteranismo era para o quietismo e a do cristianismo reformado, para a atividade, para a vivacidade. A função principal da igreja, segundo o luteranismo, era oferecer o Evangelho e ministrar os sacramentos.
Segundo o ensino reformado tal função era pôr em execução a vontade de Deus nos indivíduos em sociedade. Isto explica porque as igrejas reformadas exerceram mais poderosa influência na vida social e política dos povos, do que as luteranas.
Notas
(1) A Reforma na Inglaterra teve laços muito fortes com o lado reformado do Cristianismo, isto é, o Protestantismo, mas em outros aspectos importantes conservou características que lhe são próprias.
(2) "Huguenotes" foi a princípio um apelido dado aos protestantes pelos católicos romanos. Sua origem foi a seguinte: Os protestantes de Tours costumavam reunir-se à noite, no portão do palácio do Rei Hugo. O povo do lugar cria que o espírito do rei Hugo perambulava durante a noite. Um monge dissera num sermão que os protestantes deveriam ser chamados huguenotes, que significa parentes de Hugo, porque se pareciam com ele por andarem somente à noite.
ÍNDICE
A preparação para o Cristianismo
A fundação e expansão da Igreja
A Igreja antiga (100 - 313)
A Igreja antiga (313- 590)
A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073)
A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294)
Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517)
Revolução e reconstrução (1517 - 1648)
37 - A Reforma na Escócia, Alemanha e Hungria ⬅️ Você está aqui!
A era da Reforma (1517 - 1648)
O cristianismo na Europa (1648 - 1800)
O Século 19 na Europa
O Século 20 na Europa
O cristianismo na América