Reforma Protestante na Suíça: Zuínglio, diferenças com Lutero e o legado histórico


Destaques do Artigo:
🎓 Educação humanista e influência da Renascença na teologia zuingliana.
✝️ Conflito sobre a Ceia do Senhor: a divisão entre luteranos e reformados.
🌍 Expansão da Reforma nos cantões suíços e impacto político-religioso.

A Reforma na Europa Ocidental
Além da Alemanha, as demais nações da Europa ocidental, inclusive mesmo a Espanha e a Itália, receberam a influência daquele despertamento religioso do século XVI, em vários graus de intensidade.

Todas as nações estavam mais ou menos preparadas para a Reforma pelas mesmas forças que haviam preparado a Alemanha: a insatisfação, o protesto contra as condições da igreja; o sentimento patriótico contra a interferência dos papas nos negócios políticos e religiosos nacionais e a nova concepção de vida resultante da Renascença.

Na Suíça, França, Países Baixos, Escócia, Inglaterra explodiram revoluções religiosas e foram organizadas igrejas protestantes. Todas tinham em comum certos aspectos que as diferençavam das igrejas luteranas. 


Todas, exceto a inglesa, são chamadas igrejas reformadas. Aqui encontramos duas grandes divisões do protestantismo: as igrejas Reformadas e as Luteranas. Adiante veremos em que consistem essas diferenças.

A Suíça no século XVI era uma confederação de treze pequenos estados, chamados "cantões". Seu povo tinha um forte espírito de independência e de democracia.

Zuínglio: Formação e Influências Humanistas
Quando Martinho Lutero tinha apenas cinquenta e dois dias de idade, Hulrico Zuínglio (1484-1531) nasceu em Wildhaus, um povoado ao leste da Suíça.

Em virtude do interesse que o tio, pároco da vila, tomou por ele, conseguiu Zuínglio uma educação secundária de alto nível, indo, após, para as universidades de Viena e de Basiléia.

Recebeu educação principalmente dos mestres humanistas, homens que representavam a flor do pensamento revolucionário da Renascença; por isto sua vida intelectual recebeu essas influências que a moldaram plena e definitivamente.

Assim ele desenvolveu sua poderosa mentalidade, que se abria com todas as ideias novas, que estavam largamente disseminadas a respeito de todos os assuntos.

Neste ponto vemos a diferença entre ele e Lutero, que fora educado, principalmente, sob as influências medievais, e daí ser Lutero menos inclinado a modificações radicais.

Outra diferença entre eles, foi que Zuínglio não teve nenhuma experiência religiosa profunda na sua mocidade. Ele tornou-se sacerdote somente por haver na família outros clérigos.

Em Glarus, sua primeira paróquia, continuou a estudar a Bíblia e a teologia à luz do novo ensino. Quando o Novo Testamento grego de Erasmo veio à luz em 1516, tomando emprestado, um exemplar, copiou à mão as epístolas de Paulo e as lia constantemente.

Ruptura com a Igreja Medieval

Residindo como sacerdote, em Einsiedeln, lugar aonde iam muitos peregrinos, ficou profundamente entristecido com a insensatez das superstições que ali verificou, alimentadas pela própria igreja Romana.

Durante dez anos de leitura, e pesquisa foi se inclinando gradualmente para as ideias evangélicas ou reformadas, pois as encontrava mais satisfatórias e lógicas à sua mente do que os ensinos da igreja medieval.

Durante esses mesmos anos, Lutero, no mosteiro de Erfurt, se dirigia ao mesmo alvo por outro caminho, isto é, fazendo a experiência prática dos ensinos mais antigos e verificando que os mesmos estavam vazios de poder para a salvação da sua alma.

Em 1519, por causa de sua fama sempre crescente como pregador notável, foi Zuínglio chamado à importante cidade de Zurique. Nesse mesmo ano experimentou a influencia de Lutero, que fortaleceu poderosamente as suas convicções.

Uma grave doença aprofundou ainda mais a sua vida religiosa. Depois começou a pregar ousadamente as suas crenças evangélicas e num livro que foi publicado em 1522, anunciou abertamente seu afastamento do papado.

Em virtude dos distúrbios provocados pelos inimigos de Zuínglio, o Concílio de Zurique manteve uma discussão pública com o propósito de acabar com a controvérsia religiosa.

O Debate Público em Zurique

Por essa razão Zuínglio escreveu uma declaração dos seus pontos de vista, declaração que continha o princípio fundamental da Reforma: o sacerdócio de todos os cristãos.

Zuínglio declarou que os homens se salvam pela fé em Deus, por meio de Cristo, não pelas obras exigidas pela Igreja Romana. Exaltou a autoridade da Bíblia acima da igreja papal. Atacou o primado de papa, a missa e o celibato do clero.

No debate sobre estes pontos, Zuínglio seguiu ideias próprias. O Concílio apresentou uma decisão que lhe era favorável e o encorajou a prosseguir. Por este ato, o Cantão de Zurique e o próprio Zuínglio romperam definitivamente como papado.

Zuínglio, então, prosseguiu com a Reforma nesse cantão. Agiu cuidadosamente, expondo pacientemente os planos ao povo, em sermões, e conseguindo a aprovação do governo para as mudanças que se faziam necessárias.

Gradualmente o culto, os costumes religiosos e a pregação foram alterados para se adaptarem à concepção reformada do Cristianismo.

O ponto culminante foi atingido em 1525 por uma decisão e por ordem do Concílio, para se adotar um serviço de comunhão, em lugar da missa, na grande Catedral.

A Reforma tinha se concretizado em Zurique. Sob a liderança de Zuínglio foram realizadas no culto, maiores e mais radicais modificações do que com Lutero.

Este, naturalmente conservador, não alterou mais do que as ideias evangélicas, a seu ver, exigiam. Por exemplo, a cruz permaneceu na mesa da comunhão. Zuínglio sendo um homem da nova era, procurou remover tudo que cheirasse à velha ordem religiosa, que não tivesse apoio bíblico.

De Zurique a Reforma se estendeu rapidamente pela maior parte da Suíça alemã. Muito realizou a influência de Zuínglio, mas em cada cantão surgiram os homens que assumiram a liderança do movimento. A esses líderes o povo apoiava plena e alegremente.

Em cada um dos cantões a Reforma foi realizada por ato de uma autoridade representante do povo, como em Zurique, e todas essas decisões aprovavam as ideias de Zuínglio.

Sua influência também se estendeu, como já vimos, pelo sul da Alemanha. Foi assim que surgiram esses dois aspectos da Reforma, lado a lado, o de Zuínglio e o de Lutero.

Depois do célebre e histórico protesto de Espira, em 1529, tornou-se evidente que os protestantes algum dia teriam de lutar em defesa da sua fé. Daí a razão dos esforços para a união dos príncipes luteranos e zuinglianos das cidades e dos cantões da Alemanha e da Suíça, numa Liga Defensiva.

Apareceu um obstáculo com a objeção de Lutero a certas ideias de Zuínglio. Na esperança de se alcançar uma solução harmoniosa, foi planejada uma conferência dos dois líderes: e de alguns dos seus amigos.

Eles concordaram em catorze dos quinze artigos que definiam os assuntos básicos da te cristã, mas diferiam na doutrina da ceia do Senhor.

Lutero tinha naturalmente, rejeitado a ideia medieval de o pão e o vinho se mudarem na carne e no sangue do Senhor Jesus, mudança conhecida por transubstanciação.

Mas Lutero ainda sustentava que o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo eram recebidos pelos comungantes... "ao lado do pão e do vinho".

Zuínglio sustentava que o sacramento é um memorial da morte do Senhor e que a sua presença é unicamente espiritual.

Diferenças Doutrinárias: Zuínglio vs. Lutero

Lutero ofereceu tal oposição a esta interpretação que ele mesmo se convenceu de não poder aprovar a aliança entre luteranos e zuinglianos.

Aqui teve início a primeira das muitas divisões do protestantismo nos ramos "Luterano" e "Reformado". Mais tarde os luteranos e zuinglianos da Alemanha se aliaram na guerra contra Carlos V.

Porém esses dois ramos da Reforma nunca se uniram, sempre correram paralelos. Embora depois surgissem outros motivos de separação entre os dois grupos, a doutrina da Ceia do Senhor era suficiente como causa de separação definitiva.

Morte de Zuínglio e Legado

A morte do nobre Zuínglio ocorreu somente dois anos após sua Conferência com Lutero. Levantou-se uma guerra entre os quatro cantões suíços que permaneceram católico romanos e os cantões protestantes.

Na segunda de duas breves campanhas, Zuínglio, que, com seu ardor patriótico tinha ido para o campo de batalha, caiu lutando (1531).

Embora não fosse tão grande quanto Lutero, foi também um servo fiel e destemido do Evangelho e um líder nobre e sábio que deu inspiração ao seu povo. Realizou um trabalho permanente para a causa da Reforma do cristianismo no seu país.

ÍNDICE

A preparação para o Cristianismo 

A fundação e expansão da Igreja 

A Igreja antiga (100 - 313) 

A Igreja antiga (313- 590) 

A Igreja no início da Idade Média (590 - 1073) 

A Igreja no apogeu da Idade Média (1073 - 1294) 

Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517) 

Revolução e reconstrução (1517 - 1648) 
33 - A Reforma na Suíça - Zuínglio ⬅️ Você está aqui! 

A era da Reforma (1517 - 1648) 

O cristianismo na Europa (1648 - 1800) 

O Século 19 na Europa 

O Século 20 na Europa 

O cristianismo na América 

Semeando Vida

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